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A História tem nome de ilha: Malta – parte 3

O nascimento de uma capital

A maior cidade de Malta, Valeta (Il-Belt Valletta na língua local), é rica em história, arte e arquitectura. Planeada com rigor e visão, é hoje considerada um dos mais notáveis exemplos de urbanismo renascentista na Europa, distinção que lhe valeu o reconhecimento como Património Mundial da UNESCO em 1980.

Fundada em 1566 pelo Grão-Mestre da Ordem de São João, Jean Parisot de Valette, a cidade nasceu na sequência directa do Grande Cerco de 1565 em resposta à necessidade de criar uma capital fortificada capaz de proteger Malta de futuras ameaças. Substituindo Birgu como sede do poder, Valeta foi concebida de raiz como o novo centro político, militar e religioso da maior ilha do arquipélago, reunindo num espaço compacto os principais edifícios administrativos, religiosos e defensivos da Ordem.

Ao longo dos séculos, a cidade tornou-se o palco de acontecimentos decisivos da história de Malta. Em 1798, durante a sua expedição ao Egipto, Napoleão Bonaparte ocupou Malta quase sem resistência, entrando em Valeta e decretando o fim do domínio dos Cavaleiros. As propriedades da Ordem foram confiscadas e muitas instituições religiosas encerradas ou saqueadas, mas o facto de ter expropriado os bens da Igreja não granjeou popularidade ao Imperador. A presença francesa revelou-se breve: a insatisfação popular levou à revolta dos malteses, que pediram auxílio aos britânicos. As forças francesas foram cercadas até à sua rendição em 1800. Com o declínio definitivo da Ordem como poder governante em Malta deu-se início a um novo capítulo na história de todo o arquipélago maltês.

Jardins suspensos

O meu primeiro contacto com Valeta foi à distância, na embarcação que me levou de Bormla (uma das Três Cidades) através das águas do Grande Porto. Dali, a cidade impõe-se pela solidez e pela ordem. As suas linhas regulares, erguidas em socalcos sobre o mar, deixam claro que Valeta não nasceu ao acaso, mas que foi construída para afirmar poder, ordem e permanência no Mediterrâneo.

No topo das muralhas compactas que resguardam Valeta, uma sucessão de arcadas em pedra cor de mel chama imediatamente a atenção: são os Upper Barrakka Gardens, uma espécie de balcão suspenso sobre o porto e miradouro incontornável para quem visita a cidade pela primeira vez.

Foram inicialmente criados, no século XVII, como jardim privado e local de recreio para os Cavaleiros de língua italiana da Ordem, aproveitando a plataforma superior do Bastião de São Pedro e São Paulo – a parte mais alta da fortificação de Valeta. Espaço em tempos parcialmente coberto, o seu tecto foi removido em 1775, deixando as arcadas expostas ao céu e tornando o jardim no terraço aberto como hoje o vemos.

Para quem vem do cais, o acesso às alturas dos Upper Barrakka Gardens é facilitado por um elevador externo – uma torre de metal gradeado, de linhas modernas e escorreitas, encostada ao rochedo calcário sobre o qual foi construído o jardim. Já lá em cima, entre as arcadas de pedra que definem o recinto, pequenos canteiros geométricos, palmeiras e arbustos introduzem um contraste verde e fresco num lugar dominado pela pedra. Estátuas discretas e placas comemorativas surgem aqui e ali, como notas visuais de rodapé da história. Ao longo do parapeito, os antigos canhões da Saluting Battery lembram que o local, hoje dedicado à contemplação, foi durante séculos um ponto estratégico de defesa – e as suas salvas cerimoniais, que se fazem ouvir de segunda a sexta ao meio dia e às 4 da tarde, destacam esse papel importante.

Seguindo a linha das muralhas para a direita, e embora mais discreta, nota-se uma outra mancha verde. Mais íntimos e recolhidos, os Lower Barrakka Gardens têm um carácter quase meditativo. O jardim parece feito para quem procura silêncio e um momento de afastamento do bulício de Valeta. Os caminhos são mais estreitos, ladeados por árvores e arbustos densos e decorados com placas comemorativas de eventos históricos europeus, e há menos gente. A vista a partir deste jardim, igualmente ampla, é direccionada para a entrada do porto, onde os elementos distractivos são quase inexistentes e os azuis predominam – o do mar, e o do céu. As copas das árvores filtram a luz e oferecem sombra bem-vinda, e os bancos que as rodeiam pedem uma pausa para repousar e apreciar a paisagem.

No centro do jardim ergue-se um monumento dedicado a Sir Alexander Ball, erguido em 1810 em estilo neoclássico, com colunas claras e proporções que remetem para os templos gregos. É uma homenagem ao oficial britânico que liderou a resistência maltesa contra os franceses e se tornou o primeiro Comissário Civil britânico em Malta.

Fortaleza religiosa

Valeta foi concebida como uma cidade-fortaleza, uma máquina de guerra bem organizada, com ruas em grelha, bastiões imponentes e uma rede de túneis e passagens subterrâneas para defesa. Mas no coração desta cidade planeada ao detalhe, que reflecte a visão estratégica da Ordem que governou Malta durante três séculos, há um contraponto espiritual: a Concatedral de São João.

Partilhando o estatuto episcopal com a catedral de Mdina, a Concatedral de São João permanece actualmente como o principal e mais simbólico edifício religioso de Valeta. Foi construída entre 1573 e 1578 por ordem do Grão-Mestre Jean de la Cassière, para servir como igreja conventual da Ordem. A sua fachada, cuja sobriedade é quase austera, esconde um interior que traduz a ambição, a riqueza e a devoção dos Cavaleiros que governaram Malta. O contraste sente-se assim que entramos: é uma celebração exuberante do barroco, adicionado no século XVII sobretudo sob a direcção do artista calabrês Mattia Preti. As paredes e abóbadas estão inteiramente cobertas por frescos que narram episódios da vida de São João Batista, padroeiro da Ordem, criando um ambiente teatral e profundamente simbólico.

O chão desta catedral é um dos elementos que mais me impressionou. Composto por cerca de quatrocentas lápides de mármore policromado, cada uma delas marca o local de sepultura de Cavaleiros ilustres. Estão decoradas com brasões, alegorias da morte e inscrições que contam histórias de glória, fé e sacrifício.

Ao longo da nave principal abrem-se as oito capelas laterais, cada uma dedicada a uma das “línguas” da Ordem – as divisões nacionais que reuniam Cavaleiros de diferentes regiões da Europa. Estas capelas são autênticas jóias artísticas, ricamente ornamentadas com talha dourada, esculturas e pinturas, reflectindo o prestígio e a rivalidade entre as várias línguas. Merece também destaque o altar-mor, com a sua imponência e riqueza decorativa, como ponto focal espiritual e visual do templo.

Entre os tesouros mais notáveis da Concatedral encontra-se a obra-prima de Caravaggio, “A Decapitação de São João Baptista”, exposta no Oratório. É a maior pintura que o artista alguma vez realizou e a única que assinou, uma obra de dramatismo intenso que sintetiza luz, sombra e emoção de forma magistral.

A cripta, uma câmara subterrânea situada sob o altar-mor, guarda os restos mortais dos primeiros onze Grão-Mestres que lideraram a Ordem de São João entre 1522 e 1623, incluindo os de Philippe Villiers de L’Isle Adam (1521-1534), que trouxe a Ordem para Malta em 1530.

Datam desta mesma época os edifícios, importantes ainda hoje, que serviam como albergues para os Cavaleiros de São João. É o caso do Auberge de Castille et Portugal (construído a mando do Grão-Mestre português Manuel Pinto da Fonseca), que era sede dos Cavaleiros de Castela, Leão e Portugal e hoje aloja o Gabinete do Primeiro-Ministro; do Auberge de Provence, que é agora o Museu Nacional de Arqueologia; ou do Auberge d’Italie, que abriga actualmente o MUŻA-National Community Art Museum.

A Igreja de São Paulo Náufrago, situada no coração de Valeta, é uma das mais importantes e veneradas igrejas de Malta, e está profundamente ligada à identidade religiosa do arquipélago. Dedicada ao episódio bíblico do naufrágio de São Paulo na ilha, narrado nos Actos dos Apóstolos, assinala simbolicamente o local onde, segundo a tradição, o apóstolo teria vivido após o naufrágio ocorrido no ano 60 d.C. – acontecimento fundador do cristianismo em Malta. A igreja actual começou a ser construída no final do século XVI sobre um templo mais antigo, e foi sendo ampliada e enriquecida ao longo dos séculos, reflectindo a devoção contínua da população maltesa a São Paulo, considerado o padroeiro da nação.

O exterior apresenta uma fachada sóbria, que contrasta com o interior ricamente decorado em estilo barroco, marcado por altares ornamentados, mármores coloridos e pinturas de grande valor artístico. Entre os seus maiores tesouros destacam-se as relíquias de São Paulo – incluindo um fragmento do pulso do apóstolo – e a célebre estátua processional em madeira esculpida no século XVII, usada anualmente nas celebrações da Festa de São Paulo Náufrago. Para além do seu significado espiritual, a igreja é também um espaço de memória do percurso histórico que moldou Malta, tendo sobrevivido a danos durante a Segunda Guerra Mundial.

A essência de Valeta descobre-se igualmente através de outros edifícios religiosos de grande relevância histórica e artística. A Igreja de Nossa Senhora das Vitórias foi a primeira a ser erguida na cidade em 1566 e, mais do que um templo, é um símbolo do triunfo cristão após o Grande Cerco. A sua vizinha da frente, dedicada a Santa Catarina, foi construída pelos Cavaleiros italianos paredes-meias com o seu albergue. A Basílica de São Domingos tem uma fachada côncava imponente e um interior ricamente ornamentado em estilo barroco. A Igreja dos Jesuítas é outra das construções religiosas mais antigas e arquitectonicamente marcantes da cidade. E as igrejas franciscanas de São Francisco de Assis e de Santa Maria de Jesus preservam importante património artístico e histórico, integrando-se harmoniosamente no tecido urbano de Valeta e contribuindo para o carácter religioso e cultural da cidade. No seu conjunto, estes locais de culto reforçam a riqueza do património sacro de Valeta e são motivos de interesse para quem procura decifrar a alma de Malta através da sua arquitectura religiosa e da sua memória.

Antigo e moderno

Entrar em Valeta pelo seu acesso terrestre é uma experiência menos avassaladora do que a chegada por mar, mas igualmente peculiar. No espaço desafogado que precede as muralhas, onde o frenesim dos autocarros brancos e verdes marca o ritmo do quotidiano, a Fonte dos Tritões assume o protagonismo. Com as suas três figuras de bronze que sustentam um disco circular, esta obra de meados do século XX é uma espécie de preâmbulo artístico à cidade em si, fundindo a tradição e a modernidade que também a definem. Ao atravessar as Portas da Cidade – na sua já quinta versão, que data de 2014 e tem a assinatura do arquitecto Renzo Piano – a amplidão da praça desvanece-se no bulício das ruas cheias de gente. É neste limiar, entre o novo Parlamento de linhas vanguardistas e o peso histórico dos bastiões, que a identidade visual de Valeta começa a revelar-se nos seus pormenores mais íntimos.

Valeta é um labirinto geométrico de ruas estreitas, edifícios de calcário dourado e coloridas varandas de madeira, que se tornaram um símbolo da cidade e de Malta, conferindo-lhe um carácter único tão importante para os residentes como atractivo para os visitantes. Tenho de confessar que estas varandas fechadas, típicas das ilhas maltesas, são uma das particularidades que mais me fascinam: representam a combinação perfeita entre funcionalidade, estética e personalidade. Apesar de elevadas à categoria de ícone nacional, estes elementos arquitectónicos só se popularizaram na ilha a partir do século XVIII – até então, o habitual era que as varandas fossem abertas e feitas de pedra, material abundante nas ilhas, em contraste com a madeira, mais escassa e valorizada. O seu desenho remete para a mashrabiya, a janela islâmica tradicional que filtrava a luz e ventilava as casas, permitindo ao mesmo tempo ver sem ser visto. Pintadas com cores vibrantes e muitas vezes enfeitadas com pequenos ornamentos, estas varandas destacam-se no tecido urbano histórico de Valeta, e é impossível ficar-lhes indiferente. Caminhar pela cidade é, por isso, também um exercício de olhar constantemente para o alto.

Ainda assim, a história de Valeta não se lê apenas na harmonia visual das suas fachadas; lê-se igualmente nas suas ausências e reconstruções. À entrada da cidade, logo a seguir ao Parlamento, encontra-se um dos exemplos mais pungentes da memória da Segunda Guerra Mundial: as ruínas do Teatro Real. Inaugurado em 1866, durante o auge do domínio britânico, foi em tempos um dos edifícios mais majestosos da Europa, até ser bombardeado pela Luftwaffe em 1942. Hoje, as colunas de pedra que restaram foram integradas num teatro ao ar livre, servindo de lembrança permanente do sacrifício maltês e da resiliência de uma cidade que se recusa a apagar as suas cicatrizes.

A influência britânica em Malta, que se estendeu de 1800 a 1964, permanece gravada no ADN urbano e cultural de Valeta. Para quem vem do Grande Porto, a imponente Victoria Gate, construída em 1887 para assinalar o Jubileu de Ouro da Rainha Vitória, continua a marcar a entrada na cidade. Substituindo uma antiga porta aberta nas muralhas que rodeiam Valeta, articula simbolicamente dois tempos históricos: o legado militar dos Cavaleiros de São João e a era vitoriana, durante a qual Malta consolidou o seu papel como peça-chave na rota mediterrânica do império britânico.

Percorrendo a cidade, é impossível não reparar nas cabines telefónicas vermelhas e nas caixas de correio encimadas pela coroa real, discretos mas eloquentes vestígios de uma administração que moldou instituições, infra-estruturas e hábitos quotidianos. Ainda assim, são os edifícios e monumentos de maior escala que narram de forma mais expressiva a transição de Malta de bastião estratégico do Império Britânico para Estado soberano.

A herança britânica manifesta-se ainda na língua inglesa, co-oficial com o maltês, no sistema jurídico de matriz anglo-saxónica e até na condução à esquerda, sinais menos visíveis mas profundamente enraizados na vivência quotidiana. Em Valeta, esta sobreposição de camadas históricas não nos aparece como ruptura, mas como sedimentação: cada época acrescenta um capítulo sem apagar totalmente o anterior. A capital maltesa afirma-se como um palimpsesto urbano onde a identidade se constrói pela convivência entre memórias diversas.

Dormir num palácio

Palácio histórico localizado no coração de Valeta, a Casa Rocca Piccola oferece uma janela para a vida da aristocracia maltesa ao longo dos séculos. O edifício data de finais do século XVI e tem uma história rica que reflecte as tradições e os costumes malteses. Além de estar actualmente aberto ao público como casa-museu, este palácio tem uma ala reservada para alojamento de hóspedes. Foi aqui que fiquei instalada nas últimas noites que passei em Malta.

A Casa Rocca Piccola foi construída por volta de 1580 para um cavaleiro da Ordem de São João, Don Pietro La Rocca, de quem deriva o seu nome. Como muitas outras residências em Valeta, foi projectada de acordo com os princípios renascentistas, com uma estrutura funcional e elegante. Ao longo dos séculos, o palácio mudou de mãos várias vezes, mas permaneceu sempre associado à aristocracia maltesa. Desde o século XX, tem sido propriedade da família de Piro, uma das famílias nobres mais antigas de Malta. Fica numa zona tranquila da rua principal de Valeta, a dois passos de toda a animação, mas quando passamos a porta de entrada é como se entrássemos na máquina do tempo.

O actual dono da Casa Rocca Piccola é o 9.º Marquês de Piro, Nicholas de Piro, que reside na casa com a família. Nicholas de Piro tem desempenhado um papel importante na preservação da história e da cultura de Malta. Ele e a mulher, Frances, abriram a Casa Rocca Piccola ao público e têm trabalhado para transformar partes da casa num museu acessível, preservando o seu valor histórico e permitindo que os visitantes explorem a história da vida aristocrática em Malta.

Com mais de 80 anos, o Marquês é um senhor afável e bem disposto, com uma cultura e uma memória excepcionais, e a sua presença activa nas visitas guiadas dá um toque pessoal e autêntico à experiência, tornando-a especial. Tive a sorte de o ter como companhia durante a minha visita e de ouvir as histórias da sua família e da sua vida.

A Casa Rocca Piccola abriga uma colecção impressionante de arte, mobiliário e objectos históricos, que reflecte não só os gostos da família de Piro, mas todo o estilo de vida da elite maltesa. São mais de 50 divisões (nem todas acessíveis ao público em geral), entre salões, quartos e escritórios. As paredes exibem retratos de elementos de várias gerações da família, além de muitos outros quadros. Nas várias divisões estão expostos inúmeros objectos de prata, livros raros, instrumentos musicais e objectos religiosos. Um dos destaques é uma mesa de jantar decorada com talheres antigos, usados em ocasiões especiais. A casa tem uma pequena capela privada, testemunho da devoção religiosa profundamente enraizada na cultura maltesa e na vida da família. E podemos ainda visitar um antigo túnel convertido em abrigo antiaéreo durante a Segunda Guerra Mundial.

O jardim interior é uma jóia clássica que evoca os palazzi italianos. Foi neste jardim que tomei tranquilamente os meus pequenos-almoços, rodeada de vegetação típica do Mediterrâneo e tendo como banda sonora a água que flui de uma fonte ornamentada e as conversas de Kiku, o papagaio da família. Este lugar precioso está actualmente aberto ao público com o nome de Cafe Effervescence.

No quarto Santiago, onde dormi, os elementos que decoram a cama vieram de uma igreja de Lisboa. O quarto e a casa-de-banho (enorme!) estão adaptados a pessoas com problemas de mobilidade, e quando fiz a reserva perguntaram-me se preferia colchão duro, médio ou macio – uma cortesia que não é habitual. A decoração do quarto tem como inspiração as vieiras de Santiago de Compostela, local de proveniência de uma grande concha de madeira pendurada na parede.

A atmosfera de uma casa antiga constantemente habitada e preservada é sempre especial, e a Casa Rocca Piccola sabe receber muito bem. Uma experiência que recomendo.

Capital de permanências e transformações

Após mais de século e meio de administração britânica, Malta proclamou a sua independência em 1964, e dez anos depois constituiu-se como república, consolidando um percurso de afirmação nacional. Já no século XXI, a adesão à União Europeia e a entrada na zona euro projectaram Malta para uma nova escala de pertença e responsabilidade. Valeta mantém-se como centro decisor e rosto institucional do país, conciliando heranças mediterrânicas, britânicas e europeias.

A cidade tem vindo também a afirmar-se como destino turístico de primeira ordem, mostrando que é mais do que apenas um cenário para fotografias apressadas. Valeta está repleta de esplanadas animadas e de restaurantes onde a tradição mediterrânica dialoga com influências internacionais. Oferece, durante a maior parte do ano, uma programação cultural que atravessa museus, palácios, igrejas e festivais. Nas ruas ouvem-se conversas em todas as línguas, reflexo da presença de residentes e visitantes de múltiplas nacionalidades, que reforçam um ambiente cosmopolita e aberto ao mundo. Vista de fora, com as suas muralhas poderosas, projecta austeridade. Lá dentro, descobrimos uma cidade alegre, colorida, com uma vitalidade contemporânea que não dilui a sua memória histórica; antes a complementa, conferindo-lhe uma energia renovada.

Capital constante ao longo de séculos de mudança, Valeta permanece como testemunha privilegiada das transformações de Malta — uma cidade que, sem renegar as suas camadas históricas, continua a reinventar-se, fiel à sua vocação de ponte entre mundos.

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4 Comentários

  1. A descrição da cidade está muito bem elaborada e ilustrada por belas fotografias, complementando perfeitamente os artigos anteriores dedicados a Malta. Gostei muito!

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