9 Praias fluviais para um Verão mais fresco
Em Portugal temos cada vez mais e melhores praias fluviais, que são uma alternativa excelente às tradicionais praias costeiras e têm vindo a tornar-se muito populares. Algumas disponibilizam todas as comodidades que podemos querer, outras são praticamente selvagens, mas todas têm a vantagem de nos oferecer paisagens variadas em ambiente bucólico. E são sempre uma promessa de frescura para os dias mais quentes.
Entre as centenas de praias fluviais do nosso país, muitas já são famosas, outras nem tanto, e outras ainda são deliciosos segredos bem guardados. Sem ordem de preferência, estas são algumas das minhas favoritas.
ALAMAL
À beira do Tejo, na margem oposta a Belver, concelho de Gavião, a praia fluvial do Alamal tem tudo o que é preciso tanto para uns belos mergulhos como para descansar e passear: boa areia, algumas sombras, água tranquila e uma paisagem maravilhosa onde se destaca o Castelo de Belver. Tem também um passadiço de madeira que liga a praia à ponte da vila, num percurso de 2 km praticamente plano e muito agradável de fazer – sempre junto à água e entre a vegetação típica da região – oliveiras e medronheiros, madressilva, amieiros e salgueiros, fetos e canaviais – e com oportunidade para observar os corvos-marinhos que aproveitam os pequenos rochedos do rio para secarem as penas ao sol.
Comodidades: areia; praia vigiada; aluguer de embarcações ligeiras; balneários; parque de estacionamento; café/bar/restaurante; parque de merendas; centro de aventura com diversas actividades (rappel, slide, passeios de barco e canoa).



ALDEIA DO MATO
Aninhada num dos braços que o rio Zêzere forma perto da Barragem de Castelo do Bode e aos pés da aldeia a que pediu emprestado o nome, a praia fluvial da Aldeia do Mato é espaçosa e ideal para quem gosta de férias activas. Tem uma piscina flutuante dupla, delimitada por um passadiço em madeira, e um cais de acostagem para embarcações. A partir daqui é possível fazer um inesquecível passeio de barco pela albufeira, ou simplesmente passear de canoa ou barco a remos. A aldeia espreita do cimo da colina, com as suas casas ainda maioritariamente de traça tradicional, e no ar sente-se o aroma dos pinheiros que cobrem a área circundante.
Comodidades: bandeira azul; praia vigiada; aluguer de embarcações ligeiras; balneários; parque de estacionamento; café/bar/restaurante; parque de merendas; parque de campismo; equipamentos para desportos náuticos (remo, canoagem, windsurf); outras actividades disponíveis: percursos pedestres, percursos BTT, orientação, tiro com arco, slide, rappel, escalada, passeios de moto 4.



FRAGAS DE SÃO SIMÃO
É uma das praias fluviais mais deliciosas e facilmente reconhecíveis do nosso país, e só peca por ser demasiado pequena para tanta gente que a procura no Verão. Perto da encantadora aldeia do Casal de São Simão (recomendo que visitem), a ribeira de Alge passa entre duas enormes fragas e forma uma espécie de piscina, que nesta altura do ano é represada para ficar com mais água. Os rochedos mais pequenos, polidos pela passagem das águas, são ideais para estender a toalha e apanhar sol – ou ficar à sombra, dependendo da hora do dia e da disposição. Seguindo junto à ribeira para jusante há vários spots simpáticos para descansar, e uma zona óptima para piqueniques.
Comodidades: praia vigiada; balneários; parque de estacionamento; café/bar/restaurante; parque de merendas; mini parque infantil; outras actividades disponíveis: slide, rappel, escalada.



FRÓIA
Perto da aldeia de Oliveiras, no concelho de Proença-a-Nova, a ribeira da Fróia foi represada para criar uma praia fluvial que é em todos os aspectos surpreendente. Encaixada num pequeno vale rodeado de vegetação exuberante, a adaptação do local a espaço de lazer foi feita aproveitando e respeitando o que já existia. As antigas azenhas de xisto foram recuperadas e são um dos marcos distintivos do lugar, e a água da ribeira é tão límpida que lhe tem valido, ano após ano, a qualidade Ouro atribuída pela Quercus. É um daqueles lugares onde apetece ficar muito tempo.
Comodidades: praia vigiada; posto de primeiros socorros; balneários; parque de estacionamento; café/bar/restaurante; parque de merendas; parque infantil.



LORIGA
Em plena serra da Estrela, mesmo ao lado da N231 e muito perto da aldeia de Loriga, esta é outra das praias fluviais mais famosas do nosso país. A ribeira desce suavemente entre rochedos arredondados, formando pequenas cascatas, e esta configuração foi aproveitada para criar várias piscinas. Como cenário de fundo, os picos da serra sucedem-se uns aos outros, ocupando o horizonte visível, e a zona à volta da praia está arborizada. É sem dúvida a praia fluvial mais encantadora da serra da Estrela.
Comodidades: bandeira azul; praia vigiada; posto de primeiros socorros; água potável; WC; ecoponto; parque de estacionamento; café/bar; parque de merendas; parque infantil; painéis informativos da zona e região; paragem de autocarros.



MOSTEIRO
Fica meia dúzia de quilómetros para nordeste de Pedrógão Grande e é mais uma boa surpresa no que toca a praias fluviais. As águas da ribeira de Pera foram aproveitadas para se criar uma grande piscina e a área em volta foi aplanada e coberta com relva. Há muitas árvores, pontes que fazem a ligação entre as duas margens, um moinho de rodízio restaurado e um antigo lagar de azeite que agora funciona como bar/restaurante. O aspecto menos “selvagem”, por comparação com outras praias fluviais, é largamente compensado pelo espaço amplo, pelas excelentes condições que a praia oferece, e pela água límpida e fresca da ribeira de Pera.
Comodidades: relva; praia vigiada; posto de primeiros socorros; balneários; parque de estacionamento; café/bar/restaurante; parque infantil; equipamentos para actividades náuticas.



PATACÃO
Esta praia é um dos melhores segredos do Ribatejo e tem uma enorme vantagem: nunca está cheia de gente. Não é vigiada, não tem quaisquer estruturas de apoio e está suficientemente longe da “civilização” – o que quer dizer que é uma praia fluvial natural, meio selvagem e muitíssimo tranquila (pelo menos a maior parte do tempo). Tem um areal extenso, muitas árvores em volta, e a água fresca do Tejo. Fica a meia dúzia de quilómetros de Alpiarça, junto à aldeia avieira abandonada do Patacão, e é paixão à primeira vista.
Comodidades: areia.



PEGO
Pequena e mais piscina do que propriamente praia, está situada num local fascinante: o Parque Icnológico de Penha Garcia, que faz parte do Geopark Naturtejo. Podem ler mais sobre Penha Garcia no roteiro já aqui publicado Histórias da água e da pedra na Beira Baixa. A água vem do rio Pônsul, refreado a montante por uma barragem, e aqui é apenas um ribeiro que cai em cascata para alimentar a piscina. A paisagem em volta é mesmerizante, com paredes rochosas que sobem quase a pique na direcção do céu e ensombram o vale quando a tarde cai, trazendo ao lugar uma frescura sempre bem vinda no Verão.
Comodidades: percurso pedestre; parque icnológico.



PONTE VELHA – CABREIRA
Ligeiramente afastado da aldeia da Cabreira, que pertence ao concelho de Góis, encontra-se o Lagar de Varas, construído em 1876 e provavelmente o único lagar de azeite deste género que se encontra actualmente em funcionamento no nosso país. As várias casinhas de xisto, recuperadas em meados do século passado, são o cenário para uma das mais idílicas praias fluviais do nosso país: uma piscina natural de águas paradas que depois escorregam em catadupa num declive, para irem a seguir passar por baixo de uma ponte medieval. As árvores acompanham a orla do rio, e há uma rampa para entrar na água. Com um pouco de sorte, haverá também alguma tranquilidade para usufruir da paisagem e passar umas horas bem agradáveis.
Comodidades: estacionamento (muito pequeno); grelha para churrascos.



Mesmo fora dos meses mais quentes, estas praias fluviais são lugares de excepção para passear ou fazer um piquenique, e sempre um óptimo motivo para sair de casa e ir conhecer mais alguma região de Portugal.

Pois eu sugiro uma pequena praia fluvial no rio Águeda, na aldeia de São João do Monte. Fica um bocado fora de mão (tem que se fazer duas dezenas de quilómetros de carro, sempre às curvas e sempre a subir, desde Águeda), mas é uma praia excelente, com água funda e muito fresca para nadar, relva para estender a toalha ao sol, e um restaurante muito bom mesmo em frente.
Quando era jovem frequentei também uns pegos fundos no rio Xévora, ao pé do castelo de Ouguela, no concelho de Campo Maior. Quando lá estive aquilo era totalmente selvagem, agora parece que até se acampa por lá. Vale a pena para nadar, porque é muito fundo, e tem água mesmo no pico do verão.
Boas sugestões são sempre bem-vindas, principalmente quando são lugares que ainda não conheço 🙂 Muito obrigada! Já marquei no meu Google Maps, para quando for para aquelas bandas.