O meu país
Há pessoas para quem viajar é ir para o estrangeiro – conhecerem o seu próprio país não conta, o que é bom é ir para fora. Eu não sou, felizmente, uma dessas pessoas. Há muitos anos que viajo “cá dentro” e conheço quase todo o território português. Claro que “conhecer” é sempre um verbo relativo, e às vezes basta estarmos meia dúzia de anos sem visitar um local para quase não o reconhecermos quando lá regressamos. Mas há já muito poucas zonas do nosso país que eu não tenha visitado pelo menos uma vez até agora, e as que não conheço espero vir a conhecer um destes dias. E se na maioria dos meus posts falo de destinos fora de Portugal, isso prende-se apenas com uma questão de utilidade: escrevo em português e a maioria das pessoas que me lêem são portuguesas, razão pela qual presumo que lhes seja mais fácil ter acesso a informação sobre Portugal do que sobre outros países – sobretudo informação em português, prática e dada na primeira pessoa, por quem já lá esteve, pelo que este tipo de informação será mais útil.
Portugal é um país pequeno mas muito bonito e muito variado. Em todos os aspectos. De norte a sul, do litoral para o interior, variam a paisagem natural e a construída, as tradições culturais, a gastronomia, o clima, a história, os hábitos e as influências sociais, e até mesmo os sotaques e os pormenores linguísticos. Não há muitos países que possam gabar-se de tanta variedade numa área territorial tão reduzida. E de tanta História.
Há certamente alguma coisa de especial neste nosso rectângulo. Habitado desde há milhares de anos, palco de acirradas disputas territoriais, rampa de lançamento para a descoberta de mundos ultramarinos desconhecidos, alguma coisa os nossos antepassados devem ter visto neste pedaço de terra para a ela se agarrarem com unhas e dentes, defendendo-a durante séculos de todo o tipo de ataques, tanto humanos como naturais.
Alguma coisa aqui continuamos certamente a ver nos nossos dias; nós, os que apesar de todas as dificuldades, de todas as prepotências, de todos os maus-tratos a que Portugal tem sido sujeito, apesar de todo o desleixo, desinteresse e deixa-andar por parte de quem tem responsabilidades mas prefere ignorá-las para apenas pensar no lucro; nós, os que amam Portugal e preferem olhar para o que há de bom em vez de se queixarem constantemente do que está menos bem; alguma coisa continuamos a ver e a sentir por este pequeno território tão velho, tão depauperado de recursos, e tão continuamente flagelado pela natureza e pela maldade humana.
Portugal é o meu país e eu gosto do meu país, apesar dos seus defeitos. Não só por ser o lugar onde nasci, mas porque ele merece. Portugal é, para mim, um país lindo, com um património riquíssimo e interessante, e cheio de grandes pessoas (as pequenas pessoas eu prefiro ignorar, elas não merecem que se lhes dê qualquer importância). Portugal é um país em evolução e que tem vindo a melhorar em muitos aspectos – para cada passo em falso que damos, há meia dúzia de outros passos na direcção certa. Portugal é o meu país, e tudo o que o afecta profundamente também me afecta a mim, mesmo que eu não o sinta directamente na pele.
Estive há cerca de dois meses numa das zonas que nestes dias tem estado ameaçada pelo fogo (ou deveria dizer inferno?) que mais uma vez está a consumir uma grande parte do território de Portugal – a consumir recursos naturais e financeiros, a consumir meios e, pior do que tudo, a consumir vidas. Os incêndios são um flagelo nacional que não tem paralelo em qualquer outro país, um “fenómeno” racionalmente inexplicável que nos afecta de forma brutal todos os Verões e não dá sinais de diminuir com o passar dos anos; pelo contrário, parece aumentar continuamente, pelo menos em termos de gravidade. Vingança da natureza ou maldade humana, seja qual for a causa, o resultado é sempre idêntico: destruição e morte. E este ano a morte está a ter mão pesada em número de seres humanos. As casas podem ser reconstruídas, as florestas replantadas, mas os seres vivos, humanos e animais, esses ninguém pode substituir.
Portugal é o meu país e é um país lindo, por muitos e variados motivos. Mesmo quando a natureza ou a mão humana criminosa decidem fazer-lhe mal, infligir-nos dor. Mesmo quando é preciso o sacrifício e a luta de muitos para salvar uma parte do nosso património, uma parte de nós.
Visitei em Abril algumas das aldeias da região de Góis. Foi num fim-de-semana soalheiro e já quente, um verdadeiro fim-de-semana de Primavera, e conheci sítios encantadores. Alinhadas ao longo das margens do rio Ceira, cada uma daquelas aldeias tem um ambiente diferente e um cantinho, um ângulo, um pormenor que as torna especiais. Aqui ficam algumas imagens de Cabreira, Colmeal e Candosa. Esperemos que não para memória futura.
CABREIRA








CANDOSA




COLMEAL




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Aldeias com histórias: Fonte Arcada
7 aldeias portuguesas para conhecer
Juízo, uma aldeia que tem histórias

É uma zona maravilhosa. Fomos o ano passado para a zona de Arganil (Pomares) e apaixonámo-nos de tal maneira que este ano vamos regressar. O nosso lema é conhecer primeiro o nosso país. Bom texto e grandes fotos. Ana Paula
Obrigada, Ana Paula 🙂
Primeiro ou ao mesmo tempo, em férias ou fins-de-semana, o importante é conhecer. E não há falta de “material” no nosso país. Pena é parecer não sermos capazes de o preservar melhor.
E boas férias!
Há uns anos atraz, havia um anúncio não tv k dizia, e mto bem! Vá pra fora, cá dentro! E é certo, kem gosta de viajar, devia conhecer primeiro o nosso país! E claro, dp conhecer tb outros países! Prq o conhecimento nunca é demais, em td o lado há coisas com mais, ou com menos intresse! Má é mto habitual, desvalorizar o que é nosso! É pena! Faço votos de bons passeios, boas viagens! Já agora, venha tb ao alentejo e algarve!:-).
Portugal tem sítios lindíssimos muito superiores a outros locais espalhados pelo Mundo que apenas por serem mais divulgados, são destinos preferidos de quem gosta de viajar e/ou conhecer. As imagens que acompanham o texto provam que existe até um certo “excesso de beleza”, tão comum a um país multifacetado que nos surpreende a cada esquina. Que a tragédia que se vive, incuta nos responsáveis políticos decência para criarem equipas técnicas pluridisciplinares com o objectivo de estudarem, avaliarem e proporem legislação para uma floresta integrada e integradora e para a manutenção/reposição da floresta autóctone que tanta falta nos faz.
Parabéns pela memória que nos deixa do “antes”….. Obrigado pela divulgação pois muitas vezes é a melhor forma de protecção!
Pior ainda, há muita gente que desvaloriza sem sequer conhecer. Toda a gente tem o direito de ter uma opinião, mas falar daquilo que não se sabe não me parece ser um bom princípio.
Conheço bastante bem o Algarve, desde quando ainda não tinha sido descoberto pelo turismo nacional e estrangeiro, e foi o meu “poiso” habitual de férias durante muitos anos. E também conheço muito do Alentejo – aliás, tenho aqui no blogue alguns posts sobre lugares que me são particularmente queridos (e não tenho mais por falta de tempo para escrever…).
Obrigada, Aninhas, pela visita e pelo comentário 🙂
Ora essa, não tens de quê! É “serviço público” :))))
Se servir para despertar alguma curiosidade e desejo de visitar, ou para acordar algumas consciências, então já terá valido a pena.
Beijinho! :-*
por causa de lugares como estes , eu viajo todos os anos 5700 km para os visitar e redescubrir outros identicos …lugares lindos ….
Estive por lá no Verão passado e adorei. As praia fluviais são fabulosas. A população não merecia o que lhes aconteceu por estes dias.
Ninguém merece, não é?
E é verdade, toda aquela zona tem praias fluviais e lugares para descansar verdadeiramente excepcionais. O rio Ceira e as terras circundantes são uma preciosidade.
Temos a sorte de viver num planeta cheio de beleza. É uma tristeza estarmos a dar cabo dele…
Bom dia,
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Continuação de bons posts!
Equipa de Redes Sociais do SAPO
Bom dia, equipa!
Muito, muito obrigada pelos vossos destaques. É um orgulho e uma grande motivação para continuar a escrever e a partilhar tanto que há por “descobrir” no nosso país e no mundo. E a chamar a atenção para aquilo que, nas descuidadas mãos humanas, podemos perder.
E parabéns também pelo vosso excelente trabalho!
O espírito é mesmo esse e quando penso que conheço quase tudo aparece sempre algo maravilhoso e surpreendente!
Nunca conseguimos conhecer quase tudo. Volto a lugares que já conheço, que já conheci, onde estive até mais do que uma vez, e há sempre qualquer coisa de diferente. É outra das vantagens de viajar, não há monotonia 🙂